A falta de mobilidade em Lisboa

Um dos assuntos que nos tem intrigado bastante e acerca do qual nos temos debruçado algumas vezes afim de obter respostas tem sido o da mobilidade dos portugueses, em geral, e dos lisboetas, em particular.

Claro que estas linhas são escritas por quem não tem pretensões de conhecer as grandes estratégias de mobilidade, designadamente as que estão pensadas para a Região da Grande Lisboa. Escolhemos esta pois é aqui que vivemos e por razões estritamente profissionais temos tido a possibilidade de ter uma ideia aproximada acerca das grandes deslocações da população dos Concelhos envolventes.

Consideremos, por exemplo, o Concelho de Sintra que tem sido aquele que em termos populacionais mais tem crescido nos ultimos dez ou vinte anos. Em termos de mobilidade podemos constatar que, grosso modo, o Concelho de Sintra está servido, quer por uma linha de Caminho de Ferro, Lisboa-Sintra-Lisboa, a qual tem sofrido ultimamente algumas melhorias, quer pelo IC19, o qual tem vindo a aumentar paulatinamente o número de vias em cada sentido, à medida que sofre a influência da pressão da população envolvida.

Neste momento já possui três vias em cada sentido, as quais já são manifestamente insuficientes para o tráfego existente, designadamente durante as horas de ponta. Como reforço do IC19 foi construida à relativamentepouco tempo o chamado IC16, que tem um traçado quase paraleloao IC19 mas que por razões que têm a ver com o facto dos acessos principais serem em locais com pouca densidade populacional, a afluência de condutores é baixa, especialmente em relação ao que estava previsto nos estudos então efectuados na altura.

O que se referiu em relação ao Concelho de Sintra aplica-se igualmente aos restantes Concelhos envolventes de Lisboa, Como sejam o Canal de Cascais e Oeiras, o Canal de Loures, o Canal proveniente de Vila Franca de Xira e ainda os Canais das zonas ao Sul do Tejo, corporizados palas duas pontes sobre o Tejo.

Posto o problema assim desta maneira dizemos desde já que não queremos estar a complicar introduzindo um eventual efeito de malha, que é supôr de existir, considerando toda a zona abrangida pela Região da Grande Lisboa. No entanto alertamos para o facto do tipo de ordenamento que se verifica diluir grandemente a possibilidade de um escoamento fácil em qualquer sentido, como no caso que se passaria no caso de uma rede malhada.

De facto, o nosso raciocínio é bastante mais simples. Por um lado é fácil constatar que o transito actualmente não tem uma saída franca, ao chegar a Lisboa, uma vez que a 2ª Circular está superlotada praticamente durante todo o dia, com excepção de algumas horas durante a noite. Pode ser que entretanto, quando a CRIL começar a funcionar parte do transito de chegada a Lisboa seja desviado para esta via e então haverá uma melhoria geral do escoamento do tráfego. E pode ser que tal facto seja suficiente para a sua regularização. Nós, francamente temos duvidas, mas esta é uma situação que não se pode excluir de todo.

É absolutamente notório que as politicas que têm vindo a ser implementadas nos últimos anos apontam no sentido de construção de autoestradas ou vias rápidas e utilização do veículo particular, preferencialmente. Não vamos discutir agora se está correcto ou incorrecto. Este tipo de politicas estava, em principio, altamente testado no estrangeiro, com os seus resultados bem estudados, e portanto a sua aplicação aqui em Portugal, e especialmente em Lisboa, foi quase imediato, quando a resolução destes problemas começaram a ser encarados.

Contudo, algumas duvidas se levantam relativamente à solução encontrada que, na nossa opinião, não serve para a Cidade de Lisboa. Em primeiro lugar, temos de concluir que de facto não é solução para quem vive em Lisboa, encontrar permanentemente os passeios e as ruas pejadas de carros estacionados durante todo o dia, o que para além de ser muito pouco estético, perturba francamente o transito citadino, criando pontos de conflito intermináveis em muitas horas do dia e nos locais mais procurados. Isto é o que um leigo, como nós, pode constatar.

Além disso pode-se perguntar se não haverá uma solução mais equilibrada durante as horas de ponta com veículos automóveis parados ou em andamento muito baixo, com gastos de combustível extremamente elevados ao serviço, a maior parte das vezes de uma pessoa por viatura. Não seria preferível, por exemplo, a utilização de um transporte alternativo ao automóvel, como sejam autocarros preparados para o transporte de uns milhares de pessoas durante os períodos de ponta. Continuamos a pensar que isso seria possível e desejável sobre todos os pontos de vista, economia de energia, libertação de lugares de estacionamento em Lisboa, melhoria das condições de tráfego e escoamento mais rápido, etc.

E para terminar. Que diabo, a população que vive em Lisboa está a ser sobrecarregada de uma forma insuportável e imoral, sem que os responsáveis da Câmara tomem qualquer decisão que venha a facilitar a vida aos seus munícipes. E isto aos anos. Não é de agora nem de ontem. Aos anos que este assunto tem-se vindo a agravar, sem se ver uma luz ao fundo do túnel. Ou os munícipes de Lisboa terão que ser cidadãos de 2ª ordem, carne para canhão, ao contrário do que se passa na grande maioria das cidades e vilas do País onde, de uma maneira geral, o transito é fluido e desenvolve-se de uma forma humanizada.

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