De consultores a peritos

Um dos aspectos que se tem vindo a constatar é o que diz respeito à imagem do “Consultor Senior” como era vista e apreciada há alguns anos atrás a qual foi desaparecendo e tem vindo a ser substituida pela do “Perito Senior”, embora em qualquer dos casos o objecto da intervenção, isto é, quer do consultor de anos atrás ou do perito de agora, tenha sempre uma envolvente ligada de uma maneira ou de outra à consultoria. Vamos tentar explicar os motivos da alteração verificada.

Quando a APCS foi criada em 1988, o tipo de missões internacionais que se colocavam tinham a ver com os países onde elas se tornavam necessárias. De facto naquela altura os países de Leste estavam naquele periodo de transicção entrea passagem de uma economia centralizada para uma economia de mercado do tipo ocidental. Portanto, os consultores que se tornavam necessários naquela altura eram precisamente gestores que orientassem as empresas que sempre tinham trabalhado de uma mesma forma a assumirem riscos, aumentar a competitividade e a envolverem-se nos processos tradicionais de gestão do mundo ocidental.

Como as missões tinham de uma forma geral prazos curtos, vá lá. uma ou duas semanas no máximo, os consultores estacados em cada missão tinham normalmente pouco tempo para avaliar a situação, propôr uma estratégia e deixavam muitas vezes os contactos necessários para que se estabelecessem relações de intercambio entre as empresas visitadas e objecto de consultoria, e empresas ocidentais, a maior parte das vezes do mesmo ramo ou então fornecedoras de equipamentos mais modernos dos que os existentes nos locais visitados.

Foi assim que a APCS, Associação Portuguesa de Consultores Seniores, constituiu os seus quadros de Consultores, os quais, embora provenientes de especialidades diversas, realizaram algumas missões com sucesso no estranjeiro, especialmente nos antigos territórios da União Soviética, como já se eve oportunidade de referir.

Mais tarde e à medida que estas missões foram rareando, por um lado porque as muitas centenas de missões levadas a efeito pelos Consultores ligados à CESES, Confederation European Services Expert Seniores, de que a APCS faz parte como associada, auxiliaram aqueles países a uma melhor integração no mundo dos negócios do tipo ocidental e também porque as verbas destinadas ao financiamento deste tipo de missões pela União Europeia começaram a escassear. Face à situação decorrente, a CESES viu-se na contigência de desenvolver esforços junto da União Europeia tendo em vista conseguir financiamento para outro tipo de missões. Foi entretanto conseguido um acordo entre a CESES e as autoridades da América Latina, acordo esse que previa o financiamento pela União Europeia de missões de Consultores aos países da América Latina, com o objectivo de desenvolverem determinados tipos de empresas de acordocom as necessidades daqueles países.

Assim, o Programa AL-INVEST é um dos programas regionais de cooperação econômica mais importantes da Comissão Europeia na América Latina. O programa é baseado em valores compartilhados e interesses estratégicos comuns entre a UE e América Latina. Mas também no fato de que a UE é um importante parceiro sócio-político, econômico, comercial e financeiro para a América Latina. O AL-INVEST é um refl política de desenvolvimento Ejo da União Europeia, estabelecido no Consenso Europeu, e com base nos objectivos de redução da pobreza, desenvolvimento econômico e desenvolvimento social e inserção harmoniosa e progressiva dos países desenvolvimento da economia mundial AL-INVEST é um programa pioneiro da Comissão Europeia, que iniciou suas operações em 1994 com uma fase-piloto no momento das políticas de liberalização começou a facilitar a expansão do comércio internacional. Até o momento, houve três fases: Fase I (1995-1999), Fase II (2000-2004) e Fase III (2004-2008). Em janeiro de 2009 começou a quarta fase do programa.

O objetivo geral da Fase IV do AL-INVEST é contribuir para a coesão social, apoiando o reforço e internacionalização das pequenas e médias empresas (PME) na América Latina, e o intercâmbio de inovação, conhecimento e relações económicas com os seus negócios homólogos europeus.  Mais especificamente, este programa é contribuir para PMEs latino-americanas são o motor do desenvolvimento local, aproveitar as oportunidades da globalização, integração regional, acordos comerciais e de cooperação empresarial com a Europa.

Na China, tanto quanto foi possível observar, a situação é completamente diferente. Os chineses estão absolutamente cientes, a nosso ver, das técnicas de mercado ocidentais, contudo envolveram-se em projectos muitos deles ambiciosos e sofistificados e necessitam agora quem lhes forneça “know how” de forma a poderem evoluir e poderem competir com os seus produtos no Ocidente.

Por um lado a APCS não possui nos quadros dos seus associados consultores ou peritos preparados para este tipo de actividades. Mas estamos convencidos que, mesmo abstraindo disso, Portugal não dispõe de muitos peritos especializados nos tipos de projectos solicitados pelas autoridades e empresas chinesas. Aliás, mesmo as Associações congéneres da APCS têm igualmente algumas dificuldades em dar resosta às solicitações dos empreendedores chineses.

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