O envelhecimento activo e a crise

Na ultima década desenvolveram-se nos países da EU as chamadas políticas de envelhecimento activo. Surgiram sob a pressão do envelhecimento populacional e, sobretudo, pelo risco de falência dos sistemas de pensões. Essas políticas, no meio da crise econômica e financeira em que nos encontramos, arriscam-se a ser suspensas ou recuar. Se tal acontecer os mesmos problemas que as motivaram voltarão mais tarde, com intensidade redobrada, tanto mais que pouco se avançou no caminho traçado.

Segundo as metas fixadas na Estratégia Europeia para o Emprego, as políticas de emprego deveriam contribuir para se atingir em 2010, em média na EU: uma taxa de emprego de 50 % para os “trabalhadores mais velhos (55-64) e um aumento de cinco anos da idade média efectiva de saída do mercado de trabalho (estimada em 2001 em 59,9). Ora essas metas estão longe de ser alcançadas: na EU (27) em 2008, a taxa de emprego dos trabalhadores mais velhos (55-64 anos) era de apenas 45,6 % e a idade média de reforma de 62 anos (dados Eurostat).

Menos pessoas a trabalhar para cada vez mais pessoas dependentes é, não apenas um caminho para a ruína dos sistemas de pensões, como para a perda de competitividade das regiões e países com menos seniores em actividade. E nesta perspectiva a Europa está aquém dos seus diretos competidores, nomeadamente o Japão e os Estados Unidos.

A contribuição para o prolongamento da vida activa não deve depender apenas da política de pensões. Aumentar a idade da reforma, legal ou efectiva, sem uma correspondente estratégia no mercado de trabalho e sem mudanças na gestão dos recursos humanos por parte dos empregadores, só pode criar uma legião de pessoas infelizes e pouco produtivas, a desejar que os anos passem depressa.

Os problemas decorrentes do envelhecimento, associado á inactividade das pessoas mais velhas, exigem mudanças importantes nas políticas públicas, empresariais e individuais de gestão da idade. Combater a discriminação e preconceitos, derrubar barreiras legais à actividade, melhorar as condições de trabalho, promover a formação contínua e definir carreiras mais longas nas organizações, são competências do Estado e empregadores. Os indivíduos terão de perspectivar as suas carreiras face a uma seta do tempo mais alongada e mutável. Mas  também à sociedade civil, através das organizações de voluntários, como é o caso da APCS, cabe igualmente um papel importante de apoio ao prolongamento da vida activa dos seniores, directamente pelo seu envolvimento, ou apoiando a concretização das politicas públicas e das empresas.

É preciso sublinhar no entanto que o voluntariado sénior não é a solução para o envelhecimento activo. Uma politica que se centre ou sobrevalorize esta solução, em vez de promover o emprego em condições de igualdade para todos os grupos etários, só pode ser considerada discriminatória.

No entanto o voluntariado representa uma forma de assegurar a expressão de cidadania também das pessoas mais velhas, numa fase da vida em que muitas têm mais disponibilidade para o fazer, de obter a sua contribuição para resolver o problema de outras pessoas, designadamente no emprego de seniores e é, ao mesmo tempo, um valor económico pelos serviços que presta. Por isso as organizações internacionais que abordam o problema do envelhecimento têm reconhecido o contributo das ONG constituídas por seniores, para a promoção do envelhecimento activo nos respectivos países, complementando o papel dos governos.

Na Europa a malha de organizações não governamentais constituídas por seniores tem sido importante na promoção do envelhecimento activo, especialmente nos países do norte e centro, onde a cultura de intervenção autónoma da sociedade civil está mais enraizada.

Algumas dessas organizações que eram originalmente vocacionadas para prestação de cuidados de saúde, sociais, de acompanhamento ou de animação social e cultural das pessoas idosas, passaram a integrar também entre as suas missões, a de promover a participação na vida activa dos respectivos públicos alvo. São exemplos desta s casos da DaneAge Association, (Ældre Sagen), na Dinamarca e da Age Concern, no Reino Unido e noutros países. Já a TAEN Third Age Employment Network, também no Reino Unido visa exclusivamente apoiar os seniores nas áreas do emprego e formação para o mercado de trabalho.

Um terceiro tipo de associações, reúne trabalhadores seniores para a prestação de serviços qualificados, não a outros seniores, mas junto das comunidades locais ou de outras organizações. É o caso da Confederação Europeia de Consultores Seniores e, a nível nacional, da APCS.

Numa altura em que, por força da crise que atravessamos, há o risco de os problemas relacionados com o envelhecimento activo serem descurados, será ainda mais necessária a contribuição da sociedade civil, através das organizações de voluntários, como é o caso da APCS, para lembrar e requerer aos poderes públicos a continuação do esforço nesse sentido e para apoiar no terreno a sua concretização.

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  1. #1 by Rui Martins Barata on 15 de Abril de 2011 - 11:30 pm

    2 pontos:
    1) segmentação. Cada decada é uma “historia”, os cinquentões é uma coisa, os sessentões já pode ser outra, os setentões ainda outra, os oitentões ainda …

    2) O valor tem de ser pago. A experiencia tem de ser paga; nada de borlas (pode haver descontos) mas não borlas. Voluntariado OK mas não por sistema. Se não vamos ter muita empresa e organização a querer explorar … os “seniores” …

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