O desperdício e os “pobres”

Quando falamos de pobres, ou melhor, de países pobres, vem-nos logo à ideia aquelas regiões atrasadas onde os povos que as habitam, muitas vezes, nem sequer água potável têm para beber e apenas sobrevivem à custa de subsídios de outros países mais ricos ou organizações filantrópicas.

Ora, embora houvesse muito para dizer acerca destes aspectos da pobreza, achamos, no entanto, que não precisamos de ir tão longe para aquilatar da veracidade do título que demos a esta crónica. Tomemos, então e simplesmente, o caso de Portugal, por exemplo.

O país é extremamente deficiente em termos de bens energéticos ainda que, em termos de energia eléctrica, se possa caracterizar por, em 2004, dispor de um sistema electroprodutor em que, em média 33% da energia era de origem hídrica e de outras fontes renováveis.  Face às necessidades que apresenta, depende da energia proveniente do exterior em larga medida. No entanto o País tem uma precipitação média anual de aproximadamente 1000 mm valor este que se encontra ao nível do que acontece noutros países mais desenvolvidos e muito menos dependentes, muitos deles até porque possuem outras fontes próprias de energia.

Ora o que acontece no nosso país é que essa precipitação não é uniforme no tempo, pois concentra-se principalmente em determinados meses do ano, designadamente no Inverno, como sabemos. Nem, tão pouco, é uniforme territorialmente, pois que as precipitações atrás referidas incidem primordialmente no Norte e uma parte do Centro do País.

Por esta razão, o País tem sido dotado de inúmeras barragens que sendo grandes reservatórios de água permitem, entre outros benefícios, uma produção de energia ao longo de todo o ano. No entanto esta energiam é ainda insuficiente, como se viu atrás, o que obriga ao recurso a outras fontes de energia, quando isso é possível, e ainda a fazer grandes importações dos Países vizinhos, como a Espanha e a França.

Se compararmos o potencial hidrico disponível e aproveitado em diversos Países europeus verificamos que Portugal e a Grécia se encontram na cauda da Europa. Portugal apresenta um valor de 58% de potencial aproveitado, enquanto que a Finlandia e a Austria 70%, a Suécia 76%, a Espanha 85%, a Alemanha, a Itália e a França 97%.

Se Portugal aproveitasse todo o seu potencial hidrico, o que equivaleria a um investimento de cerca de 4 mil milhões de euros, seriam criados cerca de 11000 postos de trabalho, a importação de combustíveis fosseis seria reduzida na ordem dos 700 milhões de euros por ano e as emissões de gases com efeito de estufa seria reduzida no valor de 150 milhões de euros por ano.

Podemos pois perceber agora melhor porque se disse que os “pobres” são quem mais desperdiça. Com o surgimento do “Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH)”, em Novembro de 2007, que teve como objectivo identificar e definir prioridades para os investimentos a realizar em aproveitamentos hidroeléctricos no horizonte 2007-2020 esta falha seria colmatada. Teme-se, isso sim, que a crise que Portugal atravessa ponha em risco o actual panorama.

Anúncios
  1. O desperdício e os “pobres” « apcseniores

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: