Local de trabalho: quando o cinzento é melhor que o verde

Sebastian Vallbracht, um empreendedor alemão com um recente negócio de consultadoria, passou o ano passado à procura na Europa de candidatos a empregos de consultadoria quer cientifica quer financeira. De notar que os novos licensiados não estavam incluidos nesta procura. As pessoasque aquele empreendedor pretendia deveriam ter, pelo menos, 40 anos de idade,preferncialmente 50 ou 60 anos.

Com outros três sócios, Vallbracht criou a VMVO Senior Expert Consultancy o ano passado. Acabou por encontrar 90 peritos“freelancers” para projectos especificos. A média das idades rondava os 55anos. Num continente onde a passagem à reforma se realiza muito cedo, como uma forma de libertar empregos para as gerações mais jovens, o negócio de consultadoria de Vallbracht é um exemplo de negócio que procura utilizar os seniores em vez de os afastar, sendo uma forma de os recuperar. “Os seniores precisam de flexibilidade” dizChristine Robert, o presidente da Seniorflex, um grupo sediado em Bruxelas. “Eles não querem trabalhar as 48 horas por semana. Mas pretendem trabalhar, em muitos casos porque precisam de dinheiro”.

Muitos países Europeus têm leis cuja intenção é proteger os trabalhadores mais velhos, mas verdadeiramente o que acaba por suceder é o contrário, diz Robert. Um exemplo é o de que as empresas muitas vezes são obrigadas a oferecer pacotes de indemnização mais generosa se
despedirem trabalhadores mais velhos, tornando-as assim cautelosas na contratação de uma pessoa mais velha, em primeiro lugar.

Hoje em dia, a percentagem de pessoas com idades compreendidas entre os 55 e os 64 anos, que continua a estar empregada a trabalhar varia muito nos países mais desenvolvidos, desde 70 % na Suécia, 65% no Japão e 60 % nos Estados Unidos, contra 41 % na Alemanha, 38 % em França e 29 % em Itália.

Embora o desemprego seja alto em muitos países, parece existir um reforço da procura em relação aos trabalhadores mais velhos à medida que a população da Europa começa a diminuir. Em 2004, houve mais mortes do que nascimentos na Áustria, Alemanha, Grécia e Itália.

Quando os trabalhadores mais velhos deixam o mercado de trabalho prematuramente é uma “perca de produtividade para a nação” diz
Michael Delannoy, o fundador de uma organização em França que procura promover o emprego senior.

Delannoy, cujo “background” é a industria de computadores refere ter recebido recentemente uma chamada de uma grande companhia tecnológica, em França, perguntando-lhe se conhecia pessoas com competências em determinado tipo de projecto específico de “software”.

“Eu disse: vocês são os tais que inventaram o “software”. Porque não dispoem então de ninguém que saiba usá-lo?”, disse Delannoy.

Comunicaram-lhe, então, que todo o pessoal senior envolvido no projecto tinha sido despedido durante uma operação recente de
reestruturação daquela organização. Vallbracht diz que os trabalhadores seniores frequentemente conseguem resolver os problemas mais depressa do que os juniores. Ele também disse não estar preocupado com potenciais reclamações de descriminação, porque contrata os consultores como “freelancers” que trabalham independentemente de acordo com os seus horários.

“Penso que essas leis não se aplicam aos freelancers”, disse ele.

Este artigo foi publicado no “The New York Times” em 6 de Julho de 2005, sendo da autoria de Thomas Fuller

Anúncios
  1. Local de trabalho: « apcseniores

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: