Arquivo de 26 de Setembro, 2017

O terrorismo e a insustentável leveza do multiculturalismo – Por Carlos Martins Branco (*)

A Europa entrou em choque com os atos terroristas ocorridos em Paris que vitimaram
mortalmente 12 funcionários do semanário satírico Charlie Hebdo, e quatro pessoas que se encontravam num supermercado Kosher, para além de três terroristas.
Acontecimentos semelhantes já tinham ocorrido em Londres e Madrid, e nada nos garante que não se possam repetir noutras capitais europeias.

familia e amigos 031

Depois dos crimes de Paris surgiram propostas oriundas de vários quadrantes políticos para se rever o Tratado de Schengen; repetiu-se a necessidade de melhorar a coordenação entre polícias e serviços de intelligence dos vários Estadosmembros
da União Europeia; foi anunciada a disponibilização de mais de um bilião de euros para o combate ao Estado Islâmico; e reacendeu-se o velho debate sobre liberdades individuais versus segurança.
Acresce-se a isto o silêncio ensurdecedor dos líderes das comunidades muçulmanas residentes nos países europeus ou as condenações tímidas e com pouca convicção, reveladoras da sua falta de empenho na luta a este flagelo; os quais poucas vezes se mobilizaram para um repúdio ativo e veemente destes atos bárbaros.
As respostas avançadas pelos responsáveis europeus sãonormalmente circunstanciais: há que fazer qualquer coisa.
Falta-lhes algo de estrutural e de longo prazo.
O establishment – figuras públicas, políticos, jornalistas, académicos e analistas — procura acalmar a diáspora muçulmana, evitando a todo o custo confrontá-la.
Os problemas da imigração, identidade, lealdade e cultura comuns são considerados temas tabu no debate sobre o terrorismo, e como tal, a evitar a todo custo.
É dramático assistirmos ao aumento dos aderentes ao Islão radical entre os
descendentes dos muçulmanos que emigraram para a Europa a seguir à
segunda grande guerra e que se alargou aos anos 60,período de grande expansão
económica na Europa.
O fenómeno da imigração muçulmana criou uma relação perversa.
Por um lado, o capitalismo europeu satisfazia as suas necessidades de crescimento com mão-de-obra barata, por outro, os imigrantes, muito em particular os muçulmanos,
vinham apenas pelo trabalho e pelo dinheiro, sem ambicionarem abraçar uma nova cultura.
Com base nestas premissas, seria muito difícil a sua integração nas sociedades de acolhimento. O relacionamento não ia muito paraalém da coexistência.
O arrefecimento económico prolongado e a crise que seguiu a esse período de expansão veio criar sentimentos de exclusão e discriminação social nestes grupos.
Tornaram-se cidadãos desses apenas pelo passaporte, mas não cultural ou sociologicamente falando.
Ao contrário daquilo que é apregoado, o conceito de multiculturalismo contribuiu para agravar o sentimento de rejeição pelas sociedades que os
viram nascer. Refletindo á primeira vista uma abordagem liberal e progressista, na prática, o multiculturalismo contribuiu para o isolamento cultural destas comunidades e grupos sociais, e, em última análise para a sua guetização.
O multiculturalismo encorajava, de certa maneira, o separatismo e uma afirmação de grupos marginalizados da sociedade.
Não se vislumbram soluções no curto e médio prazo que possam reverter esta situação. Se esta avaliação estiver correta, então a situação é, no mínimo, arrepiante.
(*) Major General

Anúncios

Deixe um comentário

A CESES na APCS

No dia 03 de Maio de 2017, deslocou-se a Portugal o Presidente da CESES, Jacques van Egten, para uma reunião de trabalho com a direcção da APCS a fim de discutir assuntos de interesse comum e aprofundar o conhecimento mútuo.
A CESES (Confederation of European Senior Expert Services) é uma NGO que agrupa 21 associações semelhantes da União Europeia incluindo a APCS.
Durante a reunião foi apreciado o Relatório de Actividades de 2016 e a disponibilidade de uma plataforma partilhada da CESES contendo projectos que as associações membro
colocam à disposição dos restantes associados. Foi ainda discutida a possibilidade de participação da APCS em projectos internacionais em coordenação com a CESES.

Deixe um comentário

A SAFEA visita a APCS

A agência estatal chinesa SAFEA (State Administrationand and Foreign Expert Affairs) foi recebida pela Associação Portuguesa de Consultores Seniores (APCS) no dia 22 de agosto,
às 12 horas, nas instalações da Fundação AIP, na Travessa da Guarda, juntoà antiga FIL, no âmbito de uma visita que aquela agência efectuou em Portugal.
A APCS mantem com esta agência chinesa, um protocolo de cooperação e entendimento, em vigor desde 2013, que visa a promoção do apoio técnico e de consultoria a projectos em curso na República Popular da China (RPC).
A SAFEA, por sua vez, é responsável pela promoção e coordenação e apoio logístico dos
peritos internacionais que participam nestes projectos que abrangem áreas muito
diversificadas, como a agricultura, indústria, tecnologia, ambiente ou saúde.
Neste encontro com a delegação chinesa estiveram presentes responsáveis da Fundação AIP, CEP/CIP, Fundação Oriente, Instituto Camões e a Ordem dos Engenheiros.
A delegação chinesa era constituída por Mr. Sun Zhaohua (Deputy Administrator of SAFEA and head of delegation); Mr. Liu Yuhua (Director General of general administration office of SAFEA); Mr. Yuan Xudong (Director General of Department of Economic and Technological Experts of SAFEA); Mr. Geng Peng (Working staff of
Department of Economic and Technological Experts)
Durante o encontro teve lugar uma apresentação da APCS e de alguns dos seus parceiros, nomeadamente da AIP, que patrocinou a reunião, e da CEP/CIP que deu uma perspectiva das suas actividades.

 

Deixe um comentário